Planejando um campeonato

August 4th, 2010 admin No comments

O trecho abaixo faz parte do relatório da professora Tatiana Rodrigues e foi feito durante uma aula de crianças de 7 anos de idade. O tema do projeto foi “World Cup” e as crianças tinham acabado de decidir que gostaria de concluí-lo com um campeonato de futebol.

“A classe decidiu em conjunto que devemos começar a planejar o campeonato de futebol.

Eles queriam definir as equipes e eu perguntei quantas crianças iriam participar da primeira equipe. Eles concluíram que eles iriam fazer apenas um time com crianças da nossa sala. Eles também foram a todas as salas de aula e fizeram uma lista com 13 nomes.

Ao voltar para a classe, nós nos sentamos em roda e calculamos quantas crianças iriam participar: 12 na nossa classe e 13 de outras classes. Eles rapidamente chegaram ao resultado.

Usamos material para representar o número de crianças, 25, e separamos os 12 da nossa sala – as crianças perceberam então que não seria legal jogar com apenas uma equipe com 12 pessoas.

Eles decidiram que o campeonato terá mais equipes para ser mais interessante, assim, as crianças tentaram dividir o número de alunos em quatro equipes, mas uma criança foi deixada para trás. Não satisfeitos, eles tentaram criar cinco equipes e conseguiram um resultado sem sobra”.

Durante esta única atividade, as crianças foram capazes de desenvolver suas habilidades de escrita, fazendo uma lista com nomes de todos os amigos que gostariam de se juntar a eles no campeonato. Eles também puderam desenvolver bastante os conhecimentos em matemática sem serem forçados a fazê-lo: era sua própria vontade calcular quantas crianças iriam participar do campeonato de futebol,  quantas equipes o campeonato teria e, finalmente, quantos deles estariam em cada equipe.

Tudo isso veio naturalmente a partir do seu interesse no planejamento e na organização do campeonato de futebol – o professor, em nenhum momento, criou oportunidades para o que ela tinha que ensinar. Estas oportunidades surgiram a partir das necessidades do projeto. E é a partir delas que a pedagogia Vivencionista funciona.

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Quando as crianças se interessam

August 4th, 2010 admin No comments

Para que os alunos possam estar presentes de corpo e alma (e não apenas o corpo) nas aulas, projetos, debates ou em qualquer atividade, a Pedagogia Vivencionista considera que tanto a motivação (o aluno precisa querer realizar a atividade) quanto o significado (o aluno precisa entender porque a atividade está sendo executada) são necessários.

Assim, a Pedagogia Vivencionista baseia-se no interesse das crianças pelo tema do projeto que elas escolheram. Em outras palavras, o professor não tem controle sobre o tema ou o que será desenvolvido durante o projeto.

Essa questão pode preocupar muitos professores. Mas, contrariamente ao que a maioria pode pensar, o conteúdo pedagógico pode ser ensinado não importa o que as crianças escolham para estudar.

Nos próximos posts, vou dar alguns exemplos reais de situações reais, onde os professores ensinaram o conteúdo pedagógico de acordo com as escolhas dos alunos.

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Vivendo e aprendendo: o ensino através da vida

August 4th, 2010 admin No comments

A Pedagogia Vivencionista trabalha de acordo com o interesse das crianças,que escolhem o tema do projeto que vão desenvolver. O estudo deste tema, diferente do que muitos pensam, traz a abordagem de assuntos variados, abrindo portas para diferentes conteúdos pedagógicos.

A escolha do tema acontece através da exposição de materiais diversos, situação em que as crianças exploram um kit de materiais que as apresente um mundo maior do que o universo infantil que as cerca. Conhecendo um novo mundo, as crianças sugerem os temas que chamaram a sua atenção e que gostariam de estudar. Tendo uma lista com todos os temas sugeridos, começa-se um debate em que cada aluno defende a sua idéia. As crianças mostram-se abertas a mudar suas escolhas caso outro tema as interesse mais e, por isso, depois dessa defesa, é feita uma votação através da qual se decidirá qual o tema do novo projeto.

Já com um assunto decidido, depois da sugestão e da votação, os alunos criam o mapa do projeto, que é um registro de todas as suas questões e hipóteses sobre o tema e será um guia para as pesquisas iniciais. As próprias crianças encontram maneiras de responder as perguntas e hipóteses escritas no mapa, sendo o papel da professora da assessorar as crianças quando for necessário.

Essas pesquisas iniciais são feitas a fim de que as crianças adquiram um repertório mínimo a respeito do tema escolhido. Tendo conhecimento suficiente sobre o tema, os alunos já estarão prontos para decidir aonde querem chegar com o projeto.

Nessa etapa, as crianças escolhem uma atividade de conclusão e é esta a fase em que o projeto realmente acontece. A atividade de conclusão é o objetivo final do projeto e, por possuir uma maior complexidade, os alunos deverão desenvolver uma série de atividades e experimentos para conseguir concluí-lo: será necessário planejar, analisar caminhos, ultrapassar contratempos e várias outras necessidades genuínas do projeto que abrirão espaço para o ensino de conteúdos pedagógicos. Com a ajuda do professor, elas analisam os caminhos a serem tomados e o planejamento de suas atividades. As situações não são criadas pelo professor: são necessidades genuínas dos projetos que geram oportunidades de ensino de diversas áreas do conhecimento. O término do projeto ocorre quando a atividade de conclusão é realizada.

Com essa pedagogia, através da qual a criança tem a liberdade de escolher seus caminhos, aprendendo a lidar não só com o planejamento de seu sucesso, mas também com suas dificuldades e frustrações, desenvolve-se um interesse pela aprendizagem. Tendo como base esse interesse, a liberdade e a motivação, a Pedagogia Vivencionista foi desenvolvida para que os alunos possam aprender não só para a vida, mas também através dela.

Muito mais do que ensinar somente conteúdos obrigatórios, essa abordagem visa a formação de pessoas que confiam em si mesmas e, assim, tornam-se aptas a conquistar seus sonhos na busca pela felicidade e pelo sucesso.

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O professor Vivencionista

July 21st, 2010 admin 1 comment

“O papel do professor deve mudar radicalmente. Ao invés de despejar conhecimento na esperança de que os alunos captem alguma coisa, o professor deve, antes de mais nada, se divertir”

Na proposta Vivencionista, quebramos um tabu gigantesco: o de que não há educação sem planejamento. O professor que trabalhe com essa pedagogia deve entrar em sala de aula somente com a vaga idéia do que fará baseado na atividade de conclusão decidida pelos alunos. No entanto, ele deve ter em mente que os caminhos podem mudar caso algum aluno tenha outra idéia e os outros resolvam segui-lo.

Para que o ensino possa acontecer assim, o professor deve ter claramente todos os seus objetivos na ponta da língua e, quando houver oportunidade, desenvolvê-los e aprofundá-los com as crianças.

É preciso que o professor tenha confiança na vida e perceba que o conhecimento humano surge de necessidades básicas e está presente na maioria dos obstáculos que terá de enfrentar com as crianças

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Projeto Tiradentes

July 21st, 2010 admin No comments

Existe melhor maneira de se treinar a escrita se não escrevendo? Melhor ainda se a ideia de escrever vier das crianças.

Crianças do 3º e 4º ano do Ensino Fundamental resolveram concluir o seu projeto Vivencionista sobre Tiradentes escrevendo um livro com a sua história. A elaboração da história e a escrita do livro foram feitas pelas crianças em conjunto. Além disso, a capa foi desenvolvida individualmente e escolhida através de uma votação democrática.

Mas, diferente do que pode parecer à primeira vista, não foram só história e português que as crianças aprenderam durante o desenvolvimento do projeto. Além de aprenderem bastante sobre a história brasileira e desenvolverem a prática da escrita, aperfeiçoando de forma natural tal conhecimento, as crianças da turma ainda tiveram a possibilidade de mostrarem o seu potencial empreendedor e usarem a matemática em necessidades do dia-a-dia.

Quando já estavam com a história finalizada, as crianças tomaram a iniciativa e chegaram à sala de aula já com o telefone de uma gráfica que poderia imprimir o livro. Alguns alunos haviam pesquisado na internet, em casa e por vontade própria, sobre gráficas e encontraram uma que imprimisse poucos exemplares, sendo isso exatamente o que estavam procurando.

O fato de as crianças terem procurado, por vontade própria, onde poderiam imprimir os seus livros mostra como elas ficam interessadas e se esforçam para conseguir o seu objetivo quando são elas que decidem o que fazer. Dentre as inúmeras escolhas apresentadas pelas ferramentas de busca online, as crianças mostraram um enorme censo crítico ao saberem escolher qual lhes seria mais viável – além de desenvolverem o uso da matemática, podendo calcular valores para decidir qual gráfica usar.

Depois de entrarem em contato com a gráfica, as crianças descobriram quais as características que o livro deveria ter para que pudesse ser impresso. Resolvido tudo, o arquivo foi enviado e, um dia depois, os livros chegaram à escola.

Para pagar a impressão, os alunos usaram dinheiro que tinha sobrado de um empreendimento anterior e depois repuseram tal valor com o que lucraram com as vendas dos livros. Vendas que, por sinal, foram um sucesso! Além de repor o que já tinham, as crianças conseguiram guardar ainda mais para um projeto futuro.

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Métodos de alfabetização

July 20th, 2010 admin 1 comment

Uma dúvida comum entre os professores diz respeito ao método de alfabetização que deve ser usado com os alunos. A proposta Vivencionista, por sua vez, não exige que se tenha uma técnica específica para a alfabetização.

Tais técnicas devem ser pensadas para atender às necessidades específicas de cada turma e cada criança dentro de seu contexto social, educacional e pedagógico.

O que importa, durante a alfabetização Vivencionista, é o significado que existe em ler e escrever e a motivação que a criança tem para desenvolver tais atividades. É preciso que a criança saiba porque está aprendendo a ler e a escrever e, principalmente, queira aprender.

Acontece assim: a turma quer escrever um bilhete para os pais. Ao invés de a professora escrever sozinha e colar na agenda, as crianças devem participar da criação. A professora deve, nesse caso, aproveitar as oportunidades de escrita e alfabetizar os alunos com os métodos que respeitem as necessidades de cada turma. As crianças aprenderão, assim, através dos próprios interesses.

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As crianças planejam

July 19th, 2010 admin 1 comment

Em reportagem do site MSN.com, a fisioterapeuta materno-infantil, Denise Gurgel, explica que as crianças “precisam aprender a planejar desde novinhos para obter o que desejam. Seja economizando o dinheiro da mesada ou esperando pelo aniversário para pedir o presente que tanto querem”.

Através da pedagogia Vivencionista tal aprendizagem acontece desde cedo, com uma abordagem que vai além dos desejos pelos brinquedos ou do que diz respeito ao dinheiro.

Os alunos escolhem uma conclusão para seus projetos, ou seja, um objetivo que querem atingir. Todo o desenvolvimento do projeto até que eles atinjam tal objetivo é guiado pelas crianças e por suas decisões, que precisam ser pensadas, pois a conclusão do projeto depende disso.

De tal forma, desde cedo as crianças aprendem a tomar decisões e a pensar nas consequências disso.

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A paixão e a educação

June 16th, 2010 admin 2 comments

            Motivação e significado. Essa dupla tem formado a pedra fundamental de todo o nosso trabalho com os alunos. Tudo o que fazemos em nossa escola deve responder afirmativamente às questões:

  1. Os alunos querem fazer isso? Estão motivados?
  2. Eles entendem o porquê? Sabem porque estão fazendo isso?

É preciso também relacionar a segunda questão com a primeira. Ou seja, só nos dispomos a fazer algo com o coração e com vontade, seja uma atividade de matemática ou escrever um livro inteiro, se a razão que nos leva a tal esteja ligada a algo que nos desperta a afetividade, a paixão.

Quanto mais reflito sobre a vida e a educação, e em como dar aos nossos alunos todas as ferramentas necessárias para que construam sua felicidade, mais clara fica a necessidade de considerar a afetividade. Para que os alunos se interessem, para que o professor se empenhe, para que os pais participem, é preciso paixão. Os alunos devem se apaixonar pelo conteúdo, assim como os professores devem se apaixonar pelos alunos e por educá-los, assim como os pais devem se apaixonar por seus filhos e pelo trabalho da escola.

Não há dedicação sem paixão!

Assim, o professor deve levar em consideração as opiniões e anseios dos alunos, adaptando a rotina e as atividades aos sentimentos e ideias dos alunos, o conteúdo deve ser “encaixado” no dia-a-dia do aluno e não o contrário.

Sinceramente, não acredito que embalar o ensino tradicional em apostilas coloridas e belamente ilustradas possa trazer motivação e significado para a aprendizagem de qualquer conteúdo. Isso empobrece, e muito, o ambiente escolar e afasta a paixão dos alunos em criar, questionar, imaginar, supor, superar, elaborar, sugerir, aprender e viver.

Pelo que seus alunos são apaixonados? Esse é o caminho!

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Mais Mata Atlântica

June 10th, 2010 admin No comments

O projeto vivencionista Mata Atlântica foi desenvolvido por crianças de 7 a 8 anos. O tema surgiu depois que os alunos folhearam revistas e outros materiais durante a etapa inicial de exposição. “Um dos alunos encontrou uma reportagem sobre a Mata Atlântica e achou que era interessante”, explica a professora Haryanne Valério sobre como o tema surgiu.

Logo nas pesquisas iniciais, enquanto respondiam às perguntas do mapa, as crianças descobriram sobre os problemas que esse bioma enfrenta e perceberam a importância de se preservar a Mata Atlântica.

Para concluir o projeto, então, as crianças resolveram criar um site sobre a Mata Atlântica com textos escritos por elas trazendo informações que aprenderam durante o projeto. O site, nas palavras das crianças, tem como proposta “tentar ajudar a natureza através da reciclagem, do consumo correto de água e da diminuição da poluição”.

Mas tinham um problema: não sabiam como poderiam desenvolver essa ideia. Fazer algo mais simples como um blog foi, de início, uma opção recusada. Os alunos então pesquisaram, conversaram com quem entende, descobriram o que precisavam e conseguiram desenvolver o site.
Feita a programação, era hora de escolher o conteúdo do site. As próprias crianças, tendo como base o que haviam aprendido, decidiram o que escrever e escreveram elas mesmas os seus textos. Mas isso não foi suficiente para elas: as crianças desenvolveram o seu próprio documentário sobre a Mata Atlântica, criando a história, o roteiro e encenando.
Pronto o site, foi necessário divulgar. Desde o início, uma ideia das crianças era a divulgação através da televisão, e por isso pesquisaram bastante sobre programas relacionados ao assunto do site. Encontraram o Repórter Eco, da TV Cultura, e enviaram um e-mail, contando sobre o projeto e sobre o site.
A resposta do programa chegou no dia seguinte, informando as crianças que a equipe de reportagem gostaria de ir até a escola fazer uma matéria com elas.
Resultado: diante das câmeras da TV Cultura, as crianças explicaram o que aprenderam e apresentaram o seu site, conseguindo assim divulgar o trabalho para que mais pessoas possam entrar em contato com as informações que eles aprenderam e, dessa forma, ajudar a proteger a Mata Atlântica também.
Para quem não pôde conferir o programa, que foi ao ar no último domingo, 06, o vídeo abaixo traz, na íntegra, a participação das crianças.

Ache outros vídeos como este em Escola do Max

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Pedagogia Vivencionista nas livrarias

June 9th, 2010 admin No comments

A Pedagogia Vivencionista está em duas das maiores redes livreiras do planeta: em português, o livro Pedagogia Vivencionista pode ser encontrado na Livraria Cultura e, em inglês, o livro Lifelike Pedagogy é encontrado na AMAZON.

Estamos ampliando os nossos pontos de venda para que a pedagogia vivencionista esteja cada vez mais acessível para pais e educadores. Através dessa abordagem de ensino, as crianças entrarão em contato com uma educação que coloca o aluno em contato com o mundo e com a vida.

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